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O termo "karaokê" é uma composição das palavras "kara", de "karappo" que quer dizer vazio, e "oke" de "okesutora"
(orquestra), significando sem orquestra. O termo foi inventado há 20 anos, mas já consta da última edição do The
Oxford English Dictionary, tal foi a sua popularização.
Conta-se que o karaokê surgiu na cidade de Kobe, num bar que apresentava shows ao vivo. Para solucionar o problema
do guitarrista que se ausentara naquela noite, o proprietário da casa providenciou algumas fitas com músicas de
acompanhamento, para que os vocalistas pudessem cantar. A idéia foi bem aceita, fazendo com que muitas casas noturnas
passassem a oferecer o karaokê como uma opção de entretenimento, e o avanço da tecnologia permitiu a criação de
equipamentos domésticos que permitiram que a moda propagasse por todo o arquipélago japonês.
No tempo das grandes orquestras, os japoneses sempre gostavam de cantar. Nas festas e nos ençontros entre amigos,
os mais desinibidos cantavam suas músicas sem acompanhamento musical. Este só existia em eventos mais sofisticados,
batizados de "nodojiman" (literalmente: orgulhar-se da garganta). Os campeonatos de "nodojiman", acompanhados de uma
pequena orquestra eram realizados por todo o país. A tradição foi introduzida pelos imigrantes japoneses, e os
campeonatos foram realizados em larga escala nas décadas de 60 e 70, consagrando orquestras como Arelux (fundada em
1958), Heibon Band, Cristal Band, Universal, Aozora Gakudan, Românticos de Tokyo, Orion Band, e Onda, que
acompanhavam os calouros e também tocavam em bailes e festas. Haviam grupos musicais que tocavam em bailes nas
principais cidades do interior de São Paulo. Esses grupos em geral não tocavam apenas música japonesa, e alguns eram
claramente influenciados pelos Beatles.
Um dos últimos concursos de canto com acompanhamento de uma orquestra foi o Festival Royal Japan, realizado em São
Paulo, no Bunkyô, em 1986.
"Não eram grupos profissionais", lembra o contador Paulo Wakiyama, um dos fundadores da Arelux, que tocou saxofone
em vários outros. Havia alguma remuneração para cobrir despesas, mas todos tinham uma outra atividade profissional e
gostavam muito de música. Com o surgimento das fitas de karaokê, os campeonatos trocaram os músicos pelos
equipamentos. Se de um lado o karaokê permitiu a difusão do hábito de cantar, de outro não permitiu o surgimento de
instrumentistas.
"Nos últimos anos, com a volta da dança de salão, surgiram alguns grupos que tocam ao vivo, mas os integrantes são
os mesmos da década de 70", lamenta Wakiyama, que integra atualmente o grupo Blue Coats.
Com o lançamento de produtos diferenciados, o karaokê tornou-se um importante segmento dentro da indústria do
entretenimento. Video disc, videokê e outros estão cada vez mais presentes nas casas. No Japão, entretanto, com as
casas muito próximas umas das outras, alguns vizinhos não gostavam do karaokê praticado do outro lado da parede. A
solução foi a criação do karaokê box, estabelecimento com pequenas salas vedadas que são alugadas para pequenos
grupos. O primeiro karaokê box apareceu em 1984 no Japão, e dez anos depois chegou ao Brasil.
Fontes (texto integral): www.culturajaponesa.com.br
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